Você não sabe fazer indicadores!

Você não sabe fazer indicadores… dói, né? Em mim doeu quando eu entendi que isso era a mais pura verdade. E olha que já criei muito indicador aqui para o Blog da Qualidade e para a ForLogic. A intenção era sempre boa, mas a ação nem sempre era acertada!

O pior é que muitos dos conceitos que eu apliquei não estavam necessariamente errados. Estavam apenas aplicados de forma errada. Algumas verdades que eu considerava incontestáveis, na verdade, não eram tão verdades assim.

Talvez você esteja pensando: “Meu Deus, Davidson, alguma coisa na teoria está tão errada assim?”. E eu volto a dizer, o problema não era a teoria, mas sim a aplicação dela, ou seja, a prática e, com ela, a própria competência.

Aprendemos desde cedo que dados não são informações. Certo?

Se você tem um número avulso, um resultado, uma coleta ou coisa similar, você tem apenas um dado. Nada mais que um número que, sozinho, não diz nada. Para obter uma informação, precisamos de uma soma de dados. Por exemplo, 1 peça defeituosa é 1 dado. Se somarmos todas as peças defeituosas no mês (todos os dados coletados), temos uma informação.

Então, pegamos, por exemplo, duas informações: o número de defeitos da produção e o tempo que vai passando. Pegamos as duas informações e as cruzamos. Então, percebemos que o número de defeitos tem aumentado mês a mês. Pronto: Houston, temos uma informação relevante! 

Informação não é indicador!

Aprendemos que a interpretação de um conjunto de dados, seja uma soma ou multiplicação, gera uma informação. Entretanto, não aprendemos que informações avulsas (ou mal interpretadas) também não nos levam a decisões inteligentes. Não aprendemos que informações avulsas não mostram dores (Indicador) da nossa empresa.

Imagine que, no meu exemplo, o número de defeitos triplicou no tempo analisado. Péssimo, né? Mas será mesmo? Mas e se a produção tiver aumentado 10 vezes. Isso significa que, por exemplo, antes produzimos 100 unidades e tínhamos 10 unidades defeituosas. Entretanto, agora, produzimos 1.000 unidades e 30 saem defeituosas.

Dado esse cenário, o número de defeitos é melhor antes (100 unidades, 10 defeituosas) ou depois (1000 unidades, 30 defeituosas)? Ao invés de analisarmos somente a quantidade de defeitos, vamos cruzar essa informação com a quantidade de produção e encontrar a porcentagem de peças defeituosas produzidas por mês. 

Fazer indicadores é mais que juntar números

Esse foi só um exemplo, mas tem muito mais coisas que a gente faz errado. Muitos conceitos que aplicamos e erramos. Muitas informações que encaramos com indicadores.

Se fossemos criar um indicador de verdade para os defeitos da fábrica do meu exemplo, ele seria uma taxa ou um índice?

Existe diferença entre taxa e índice? Será que isso impacta na minha análise?

Acho que, só por aí, já dá pra entender o tamanho da confusão…

E qual é o resultado disso?

Mascaramos aspectos importantes da gestão. Atuamos sobre as coisas erradas, coisas que não trazem resultado. Tentamos melhorar coisas que não são o que nos fazem perder dinheiro. Erramos na priorização. Erramos no foco. Erramos no reconhecimento de pessoas. Erramos, erramos e erramos! E muitas vezes a gente nem sabe disso.

Que “O que pode ser medido pode ser melhorado” (Peter Drucker) todos nós sabemos. É quase um clichê da gestão. Agora, que “O que é medido errado pode ser piorado!” (Davidson Ramos, haha), nem sempre está na ponta das línguas por aí. Fica a dica!

 

 

Texto escrito por Davidson Ramos  para o Blog da Qualidade. Para acessar o conteúdo original, clique aqui.